domingo, 27 de junho de 2010

Um histórico de nossa Teledramaturgia

A telenovela surgiu no Brasil no início da década de 50, e “Sua vida me pertence” foi o primeiro folhetim a encantar o público brasileiro, sendo apresentada na extinta Rede Tupi. Era uma novela inspirada nas rádios novelas e era apresentada ao vivo. Porém os capítulos eram exibidos apenas duas vezes por semana, o que dificultava um maior interesse ao público, que tinha a expectativa de acompanhar as emoções seguintes da trama .
Já em 1963 foi ao ar a primeira telenovela diária, intitulada de “2-5499 Ocupado”, uma produção da extinta TV Excelsior. Na época não se podia imaginar que estava sendo lançada a maior produção de arte popular da nossa televisão, além de um grande fenômeno de massa cultural.
Com o passar do tempo a telenovela consolidou-se de vez diante os seus telespectadores, muitos folhetins foram produzidos e grandes sucessos marcaram época, como a emocionante história de “O Direito de Nascer”, “O Sheik de Agadir”, “Beto Rokfeller”, entre outras.
A partir daí, a telenovela ganha o gosto popular e se inova a cada dia, mais sem deixar de lado a marca dos grandes folhetins, porém adota uma estética mais brasileira que foca em retratar o povo e cultura do nosso país. Entre essas produções estão: “Selva de Pedra”, “O Bem Amado”, “Saramandaia”, “Roque Santeiro”,”Pecado Capital” , entre outras produções.
Na década de 60 e 70 muitos autores e autoras surgem no mundo da teledramaturgia, entre eles estão Janete Clair, Dias Gomes, Cassiano Gabus Mendes , Ivani Ribeiro entre outros grandes nomes que nos presenteou com grandes sucessos.
A Teledramaturgia na década de 80 e 90 traz consigo autores inovadores e novelas destinadas para diversos públicos, desde a folhetins super dramalhescos a grandes comédias que divertiram o grande público. Autores como Gilberto Braga, Benedito Rui Barbosa, Silvio de Abreu, Manoel Carlos, Glória Perez, Walcy Carrasco, Antônio Calmon e Carlos Lombardi tomam frente do time de grandes autores, e nos presenteia com grandes produções, como “Vale Tudo”, “Tieta”, “Explode Coração”, “Quatro por Quatro”, “Rainha da Sucata”, “Por Amor”, “Xica da Silva”, entre outros grandes sucessos.
A partir dos anos 2000, a telenovela mudou na maneira de se fazer e de se produzir. Virou industria, que forma profissionais e que precisa de lucro. A guerra pela audiência continua, agora mais do que nunca. Mas a telenovela não está calcada no melodrama folhetinesco, pois a sua estrutura é a mesma das rádios-novelas. O maior exemplo disso é a novela “O Clone”, de Glória Perez, um sucesso arrebatador, um “novelão assumido”.
É notória que a audiência não é a mesma das décadas passadas, mais ainda as telenovelas continuam emocionando o grande público. Esta queda de audiência deve-se a popularização das mídias que “roubam” a audiência da TV Aberta, como a TV a cabo e a Banda Larga, sendo que as mesmas são reflexos das mudanças de comportamento da população em geral e até de uma certa saturação do gênero.
A televisão tem como função entreter e informar a sociedade, mas também se torna uma referência ao comportamento do cidadão brasileiro, através disso é possível fazer uma análise quase comportamental ao se verificar os produtos de grande audiência, pois nos dá uma amostragem do que o público gosta de ver. Entre esses produtos a telenovela se destaca, sendo um produto de massa que tem como principal papel entreter, informar, discutir opiniões, ser uma influenciadora na vida comportamental de cada cidadão, sendo que a mesma também se coloca no papel de uma prestadora de serviços a sociedade. Isso se dá ao fato de que a teledramaturgia se inovou e buscou se tornar mais próxima da realidade brasileira, focando em temas presentes na vida de cada um dos lares brasileiros.
Afinal a telenovela é um produto de massa, que mesmo com o surgimento de novas mídias ainda continua sendo uma das maiores formadoras de opinião dos produtos que nossa televisão apresenta, sendo assunto de discussão desde mesas de bar até dentro de universidades. Um produto de cara brasileira, feito para o público brasileiro.